Carlos Silva alega falta de apoio do PS e anuncia saída da liderança da UGT

O secretário-geral da UGT não é candidato a um novo mandato na central sindical, alegando que o “desgaste tem sido tremendo” e que é visto como força de bloqueio.

“Não quero continuar”, “já está decidido e a UGT já sabe disso”, anunciou Carlos Silva, numa entrevista no programa “Gente que Conta”, do Porto Canal, que será transmitida este domingo à noite.

O secretário-geral da UGT, que assumiu a liderança da central sindical em 2013, e se recandidatou em 2017, justificou a decisão de não avançar para um terceiro mandato com o desgaste e com a falta de apoio que sente dentro do PS para tal.

“O desgaste tem sido tremendo. Sinto que hoje, mesmo ao nível do PS, não tenho o necessário apoio, nem a necessária compreensão para me poder recandidatar. Não vale a pena continuar a chover no molhado”, afirmou, para sublinhar que sente que é visto como “uma força de bloqueio”.

Ainda sobre este tema precisou, por isso, a necessidade de todos fazerem esforços no sentido de preparar uma candidatura “de um camarada” “da tendência sindical socialista da UGT”, que assuma em 2021 o comando da central.

Na entrevista conduzida por Paulo Baldaia, Carlos Silva criticou o facto de o Governo ter decidido convocar os sindicatos para novas negociações sobre os aumentos salariais na função pública para uma data posterior à da votação final global do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

A votação final global do OE2020 está marcada para dia 6 de fevereiro, tendo, na sexta-feira, a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, anunciado no Parlamento que tinha convocado os sindicatos da função pública para uma nova reunião no dia 10 de fevereiro.

“Nós gostaríamos que a reunião tivesse lugar antes do dia 6 de fevereiro. O facto de o Governo vir dar nota que vai convocar a Fesap [Federação dos Sindicatos da Administração Pública] e outras estruturas sindicais para dia 10 significa que vai apresentar um facto consumado”, precisou Carlos Silva.

Nesta entrevista, o secretário-geral da UGT acusa ainda o Governo de “ostensivamente” ignorar os sindicatos nesta negociação dos aumentos salariais da função pública e considera que a atualização de 0,3% “é uma ofensa” e “humilhante”, pelo que a UGT apoiará com “todas as forças” a greve geral da função pública que está marcada para 31 de Janeiro.

“A negociação faz parte do comportamento democrático”, referiu, para precisar que os Governos, nomeadamente um Governo de esquerda como é o do PS, “têm obrigação de se sentar à mesa com os sindicatos”, porque “sem negociação o que há é imposição e a imposição não joga com democracia”.

Apesar de achar que é “errado” fazer a reunião depois da aprovação final do OE2020, Carlos Silva afirmou que os sindicatos da UGT estarão presentes. “A UGT e os seus sindicatos nunca ficarão com o ónus de rejeitar uma reunião, um entendimento com qualquer Governo, mesmo que seja depois do Orçamento”, afirmou.

Na entrevista, Carlos Silva criticou a atitude do primeiro-ministro para com a central sindical, afirmando que este tem relegado a UGT para segundo plano, apontando como exemplo um pedido de reunião urgente que fez a semana passada e que foi delegado na ministra do Trabalho.

 

Breve Currículo de Carlos Silva

Habilitações Literárias

Licenciatura em Estudos Europeus;

Frequência da Pós-Graduação em Estudos Europeus na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Atividade Sindical

Secretário Geral da UGT – União Geral de Trabalhadores, desde 21/04/2013

Vice Presidente do CES (Conselho Económico e Social);

Membro do Comité Económico e Social Europeu (CESE), desde 21/09/15

Membro do Conselho de Fundadores da Fundação Res Publica;

Vice Presidente da CPCS (Comissão Permanente de Concertação Social);

Membro do Conselho Geral da Fundação INATEL;

Membro do Conselho de Administração do IEFP;

Membro do Conselho de Administração do CEFOSAP.

Outros cargos de relevo;

Foi Presidente da MAG/CG do SBC, desde 11/05/2015 até 11/04/2019;

Foi Secretário Geral da FEBASE – Federação do Sector Financeiro, desde 12/05/2010 até 31/06/2011;

Foi Membro do Comité Executivo Mundial da UNI – United Network International UNIGlobalUnion;

Foi Presidente da Direcção do SBC desde 15/03/2007 até 11/05/2015

Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Fundo Social dos Trabalhadores do Banco Espírito Santo;

Foi Coordenador do Conselho Europeu de Empresa do Grupo Banco Espírito Santo, entre 2003 e 2007;

Foi Coordenador do Grupo Especial de Negociação para a criação do Conselho Europeu de Empresa do Grupo Banco Espírito Santo, entre 2001 e 2003;

Foi Membro da Comissão Nacional de Trabalhadores do Banco Espírito Santo, entre 1996 e 1998 e entre 2000 e 2003;

Foi Membro da Direcção do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, entre 1997 e 2000.

Atividade Profissional

Bancário no Novo Banco do Avelar

Atividade Política

É Presidente da Assembleia Municipal de Figueiró dos Vinhos;

É membro da Comissão Nacional e da Comissão Política Nacional do PS;

É Presidente da TSS da UGT e do PS.

Paulo Pedroso deixou de ser militante do PS antes das eleições

Ex-ministro está desiludido com a forma como o partido tem tratado o sindicalismo e considera que essa posição se agravou com António Costa

“Saí do PS há meses, antes das eleições, mas pelos vistos só hoje deram por isso numa leitura mais atenta a um comentário meu sobre sindicalismo”, disse depois à agência Lusa, depois de ter confirmado ao semanário Expresso a sua saída. Questionado sobre as razões que o levaram a desfiliar-se, respondeu apenas que “aconteceu, não tem nenhuma leitura”, prometendo falar sobre isso “um dia”.

“Eu hoje sou um socialista democrático, preocupado com o futuro do sindicalismo e desvinculado da militância partidária e partilho com Carlos Silva o desencanto com o modo como esse partido trata, não a UGT, mas o sindicalismo em geral”, tinha escrito no domingo, numa referência à entrevista do líder da UGT, ao Porto Canal, em que Carlos Silva revelou que não se vai candidatar a um novo mandato, em parte porque não sente apoio do PS.

No modelo de partido que está subjacente ao Partido Socialista e no modelo de sindicalismo que esteve subjacente à criação da UGT não estava prevista a mesma ligação umbilical entre partido e sindicatos que encontramos nos partidos trabalhistas, social-democratas escandinavos ou do centro da Europa, ou mesmo da Espanha dos primeiros anos da democracia.

A UGT, hegemonizada por socialistas, sempre assentou num entendimento entre sindicalistas do PS e do PSD, que vem do tempo d…

O texto tem duras críticas à posição do partido, que Pedroso acusa de dar mais atenção às empresas do que aos trabalhadores: “A escolha das listas de deputados, que relegou os sindicalistas socialistas para fora do Parlamento foi o corolário lógico de um desvio pro-business que é visível na posição do governo face à legislação laboral e no desequilíbrio dado na atenção a empresas e a trabalhadores.”

O antigo deputado diz ainda que o “desinteresse do PS pelo sindicalismo que se agravou” desde que António Costa é secretário-geral e primeiro-ministro. “É motivo para quem não quer a desinstitucionalização das relações laborais pensar que via socialista é esta que a direcção do PS de António Costa adoptou, mas que ainda está muito a tempo de corrigir, no partido e no governo, embora já não na representatividade parlamentar. Resta saber se o PS acha que tem aqui um problema e não há sinal nenhum de que ache.”

Na publicação em que revela a saída, Paulo Pedroso partilha uma notícia sobre o secretário-geral da UGT, em que aquele assume que não é candidato a um novo mandato na central sindical, também com fortes críticas ao PS: Carlos Silva critica a atitude do primeiro-ministro para com a central sindical, afirmando que António Costa tem relegado a UGT para segundo plano.

Paulo Pedroso faz parte do Conselho de Administração do Banco Mundial, tendo sido nomeado pelo ministro das Finanças em 2018, mas está também de saída, já que se aproxima o final do mandato. Foi deputado em três legislaturas, secretário de Estado do Trabalho e Formação e ministro do Trabalho e da Solidariedade, em 2001 e 2002.

A promissora carreira política de Pedroso terminou precocemente quando foi acusado no âmbito do processo Casa Pia, tendo estado preso preventivamente durante alguns meses. O ex-deputado acabou por não ser levado a julgamento neste caso e em 2018 o Estado português foi condenado a indemnizá-lo, com o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a defender que a detenção e prisão preventiva aconteceram sem que as suspeitas de abuso de menores que sobre ele recaíam fossem plausíveis.

Também através do Facebook, o deputado socialista Porfírio Silva refere que as “qualidades” de Paulo Pedroso “só foram traídas pela ignomínia da manipulação das ferramentas da justiça”, numa referência ao caso Casa Pia. O parlamentar, que reclama “uma particular responsabilidade” pela aproximação de Pedroso ao PS, lamenta o seu afastamento.

“Tenho pena porque, para o que importa para o país, o PS, nas suas fraquezas e dificuldades, é insubstituível: por ser um espaço aberto e plural como não há outro na esquerda portuguesa. E o Paulo soube ser dos melhores de nós. Mas também comete erros. Como se vê por esta saída”, escreve Porfírio Silva.

 

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