OPINIÃO (1)

CASTANHEIRA DE PERA: Autárquicas 2017 E 2021 “VEREADORES PROMOVEM AJUSTE DE CONTAS”

Da responsabilidade pessoal de: Fernando C. Bernardo

PARA ALÉM DA VERDADE E TENDO EM ATENÇÃO PROTEGER A SUA REPUTAÇÃO E BOM NOME, SOBRE AFIRMAÇÕES IMPRECISAS, COMPLETAMENTE FALSAS OU DESCONTEXTUALIZADAS A SEREM PROPALADAS POR DOIS “PALHAÇOS ANIMADORES DE CIRCO”, VEREADORES QUE INTEGRAM O EXECUTIVO MUNICIPAL PRESIDIDO POR ALDA CORREIA, COM ALGUM APOIO DA ANTERIOR COMISSÃO POLITICA CONCELHIA DO PSD/PPD, DEMONSTRATIVO DE UM “COVARDE” AJUSTE DE CONTAS PARA AFASTAREM A PRESIDENTE DO EXECUTIVO DE PARTICIPAR NAS PRÓXIMAS AUTÁRQUICAS.

Uma destas “aldrabices”, ocorreu no passado dia 19, quando: “diz ao DN João Graça, o presidente demissionário da comissão política concelhia, ao mesmo tempo que justifica as razões da cisão com a autarca: “ela tem tido um afastamento do projeto político que foi apresentado e sufragado”.

No meu entender, num estado de direito e democrático que o 25 de Abril nos restituiu, as “trafulhices políticas” praticadas por estes “animadores de circo”, corroem a vida democrática por não respeitar o direito de audição em defesa ao seu bom nome reconhecido não só num estado de direito e democrático como pela lei fundamental “CRP – Constituição da República Portuguesa”, de a vítima se defender das “infames acusações” propaladas por esta “parelha de mentirosos” com objectivo de afastar a actual presidente do executivo municipal participar nas próximas autárquicas.

A motivação de a presidente do executivo municipal não ter acreditado no pseudo “projeto político que foi apresentado e sufragado”, referido pelo “animador de circo” João Graça à comunicação social, no meu entender, as competências da presidente do executivo municipal estão consagradas pelo Artigo 35º da Lei nº 75/2013, não podendo estas serem confinadas por meios fraudulentos a envolverem a presidente em atos ilícitos.

Não podem estes Vereadores sem conhecimento ou informação prévia à presidente do executivo tomar decisões como a ocorrida em Novembro de 2019, ao deslocarem-se a Sarzedas de São Pedro para contactar Albano Morgado, impondo-lhe o seu afastamento da presidência da Assembleia Gera da “Prazilândia, Turismo e Ambiente P.M”, agravado no decorrer da reunião do dia 8 de Abril de 2020, (Ata nº 8/2020) ao surpreender a presidente do executivo com a apresentação de uma proposta subscrita pelos seus dois Vereadores de auto nomear João Graça em substituição de Albano Morgado, para presidente da assembleia geral da “Prazilândia, Turismo e Ambiente P.M”. Sentindo-se a presidente surpreendida “traída” com este abuso de poderes, foi obrigada em defesa da rigorosa transparência juntar o seu voto de qualidade ao da oposição, deixando a João Graça, demonstrado pela sua declaração de voto exarada após “DELIBERAÇÃO” na Ata nº 8//2020, essa sua raiva, fúria e perseguição atentatória às competências da presidente do executivo municipal. Raivoso por não ter conseguido esse seu objectivo, prossegue os seus ataques através de “Carta Aberta” datada de 20 de Maio de 2020, inserida numa página das redes sociais por “homossexual assumido”, responsável por um conflito com a igreja que durante algum tempo aos fins-de-semana atraía a comunicação social, o que transmitiu negativamente o nome de Castanheira de Pera pelo mundo. Já João Graça lhe havia prometido, sem as mínimas condições técnico/profissionais, nomeá-lo presidente do concelho de administração da “Prazilândia” em substituição do Dr. Pedro Dinis, conceituado economista, em todos os seus mandatos tendo demonstrado para além de resultados positivos o rigor e disciplina no funcionamento desta EM.

Dado o longo espaço ocupado com a transcrição das Atas, não é possível continuar nesta edição os comentários e esclarecimentos agora iniciados por esse motivo, aos leitores interessados no acompanhamento deste imbróglio a sua leitura na próxima edição ou em alternativa no Website “www.radiosaomiguel.pt”.

ATA N.º 22/2019

Reunião Ordinária de 15 de novembro de 2019

 “Os Vereadores João Graça e Nuno Tomás, tendo conhecimento do pedido de substituição do Sr. Albano José Almeida Antunes Morgado Rodrigues, nas funções de representante do Município na Assembleia Geral da Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M., querem em seu nome, demonstrar um profundo reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo deste período, pelo talento administrativo que permitiu ultrapassar inúmeros obstáculos e dificuldades com que se deparou e pelo sacrifício pessoal e profissional que o desempenho destas funções trouxeram à sua vida. Posto isto, os Vereadores João Graça e Nuno Tomás pedem à Sra. Presidente que coloque na ordem do dia na próxima reunião ordinária da Câmara Municipal a designação de um novo representante do Município na Assembleia Geral da Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M.”

Surpreso com o que acabara de ser lido, o Sr. Vereador Gonçalo Lopes manifestou que não sabia se haveria de questionar ou retirar as suas ilações acerca do sucedido.

Prosseguindo, questionou se o representante do Município na Assembleia Geral da Prazilândia apresentou pedido para a sua substituição, tendo o Sr. Vereador João Graça respondido afirmativamente, acrescentando a Sra. Presidente que o pedido teria sido realizado agora, o que foi constatado pelo Sr. Vereador João Graça, afirmando que o pedido de substituição já teria sido apresentado há algum tempo.

Tomando a palavra, a Sra. Presidente esclareceu que o representante do Município na empresa municipal Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M., em tempos, havia solicitado a sua substituição, no entanto, foi-lhe pedido que permanecesse na empresa e, que até então, não teria manifestado novamente a intenção de sair.

Prosseguindo, os Srs. Vereadores do PS demonstraram surpresa pelo facto de o pedido não ter sido realizado em nome de todos os membros do executivo Presidente, Vice-Presidente e Vereador Nuno Tomás, entenda-se), mas somente em nome do Sr. Vereador João Graça e do Sr. Vereador Nuno Tomás e que, igualmente, não haviam ficado satisfeitos com o esclarecimento prestado pela Sra. Presidente. Afirmou o Sr. Vereador Gonçalo Lopes que a situação, colocada naqueles termos, se afirmava mais grave do que ab initio lhe pareceu, isso porque, evidenciou que já tendo o representante do Município solicitado a sua substituição há algum tempo, e sem saberem ao certo há quanto tempo terá sido, o mínimo exigido seria a comunicação desse mesmo facto aos Vereadores do PS. Para além disto, afirmou que este pedido de substituição “caiu aqui de paraquedas”, e por parte do executivo e não de todo, pelo que tal carece de esclarecimentos adicionais, porque no seu entender, e pelo modo como foi abordado, lhe sugere que haverá uma tentativa de branquear parte da história desta pretensão de substituição.

Retomando, a Sra. Presidente negou a possibilidade de ter existido uma tentativa de branquear os factos.

Interrompendo, o Sr. Vereador Gonçalo Lopes referiu que não compreende, até porque não vislumbra motivo para tal, a razão pela qual o Sr. Albano Morgado não vem perante esta Câmara transmitir a sua pretensão de abandonar aquele cargo, acrescentando que, do que conhece do mesmo, no âmbito do que tem sido a sua intervenção cívica, pública e empresarial, considera que o Sr. Albano Morgado não se importaria em fazê-lo perante este órgão.

Prosseguindo, indicou que esta constitui uma matéria delicada, relembrando ser do conhecimento público que, do ponto de vista da gestão, a opinião dos Vereadores do PS é a de que a empresa tem revelado indicadores satisfatórios.

Ainda sobre o assunto, referiu, como ponto prévio, que este não é momento para partidarizar instituições, nem matéria nenhum, apelando, para que, nestas matérias fundamentais, o restante executivo fosse transparente e que prestasse toda a informação atempadamente, por forma a permitir que os Vereadores do PS pudessem prestar um contributo válido quanto a estas matérias tão particulares.

Por fim, evidenciou o direito e a necessidade de se ouvirem os protagonistas, por forma a não se “mexer no que, do nosso ponto de vista, está bem. Não quer dizer que o facto de se mexer possa ficar mal, mas que nos digam qual é o caminho que querem trilhar”.

Seguidamente, referiu a Sra. Presidente que a pretensão de substituição teria sido apresentada no final do ano anterior, fundando-se em motivos de ordem profissional. No entanto, o Sr. Albano Morgado teria anuído na continuação na empresa, não voltado a manifestar vontade em sair.

Considerando o que acabara de ser referido, o Sr. Vereador Gonçalo Lopes constatou que, então, a Sra. Presidente teria ficado surpresa com esta tomada de posição pelos Srs. Vereadores, tendo aquela mencionado que reservaria a sua explicação até o assunto ser discutido em momento próprio, na reunião subsequente.

Nesta senda, foi referido pelo Sr. Vereador António Antunes que tal como teria sido frisado pelo Vereador Gonçalo, este assunto se assume de extrema relevância para o concelho, e por essa razão apelava para que houvesse clareza na discussão do mesmo, sem malabarismos, uma vez que está em causa aquilo que se traduz no motor turístico do concelho, revelando-se de extrema importância para o destino e futuro coletivo do Município, acrescentando ainda que os Vereadores do PS não podem deixar de estranhar a posição ora tomada pelo Sr. Vereador João Graça e pelo Sr. Vereador Nuno Tomás, e por esse mesmo motivo, solicitam novamente clareza e frontalidade nesta matéria.

Seguidamente, o Sr. Vereador Gonçalo Lopes questionou a Dra. Bernardina se a efetivar-se a substituição do representante do município na empresa, tal poderá implicar a destituição da atual administração, tendo a mesma respondido que, por si só não, isto é, só por esse facto não, mas que tal poderia ocorrer.

Prosseguindo, o Sr. Vereador Gonçalo Lopes afirmou que sob pena de a presente discussão ser extemporânea, pretendia deixar desde já claro que a atual administração ou modelo de gestão, tendo em consideração os dados de que dispõem, merece e tem merecido, por parte dos Vereadores do PS, a confiança depositada, considerando que se deve salvaguardar a empresa, sem prejuízo de eventualmente se verificarem alterações na sua composição.

Continuando, apelou que fosse transmitido o convite ao Sr. Albano Morgado para se apresentar junto da Câmara, transmitindo o que lhe aprouver, nem que seja para dar oportunidade aos Vereadores do PS para lhe agradecer institucionalmente pelo trabalho desenvolvido ao longo do tempo em que exerceu funções.

Havendo acordo em adiar a discussão para a próxima reunião, a Sra. Presidente solicitou a antecipação da data da próxima reunião ordinária de Câmara Municipal, para o dia 28 de novembro, em virtude da realização do Congresso da Associação Nacional de Municípios onde iria estar presente, tendo o pedido merecido a anuência de todos os presentes, fixando-se as 18 horas para início da mesma.

ATA N.º 23/2019

Reunião Ordinária de 28 de novembro de 2019

  1. DESIGNAÇÃO DE REPRESENTANTE DO MUNICÍPIO NA ASSEMBLEIA GERAL DA PRAZILÂNDIA, TURISMO E AMBIENTE, E.M.

Ponto retirado da ordem do dia

Tomando a palavra, a Sra. Presidente informou os presentes que tinha sido recebido no dia de ontem um email remetido pelo atual representante do Município na Assembleia Geral da Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M., questionando, nessa sequência, o Sr. Vereador João Graça e o Sr. Vereador Nuno Tomás se faria sentido manter o pedido realizado na reunião anterior de designação de novo representante do município na empresa.

Intervindo, o Sr. Vereador João Graça pediu para que a Sra. Presidente procedesse à leitura do referido e-mail, a que a mesma anuiu, transcrevendo-se aqui o seu conteúdo:

 “Exma. Sra. Presidente

Exmo. Sr. Vice-Presidente

Senhores Vereadores

Na sequência da troca de informação recente com a Sra. Presidente e Sr. Vice-Presidente, relacionada com o meu desejo de substituição enquanto

Representante do Município na empresa municipal Prazilândia, venho desta forma formalizar o mesmo, com efeitos limite a 31/03/2020, data indicada para efeitos de encerramento de contas de 2019 e que considero pertinente a bem da própria empresa.

Os factos que estão na origem deste pedido já foram elencados pelo Sr. Vice-Presidente, pelo que se me apraz apenas referir que gratulo toda a colaboração havida por parte do Município, bem como, toda a confiança demostrada pelo executivo e pelos senhores vereadores extensivos à atual administração.

Não posso deixar de expressar votos de que, a Prazilândia continue a atingir os seus objetivos na dinamização do nosso Concelho, aliando sempre uma cuidada execução orçamental à qualidade do serviço prestado.

Castanheira de Pera, 27 de novembro de 2019.”

Seguidamente, e para cabal esclarecimento do assunto, a Sra. Presidente procedeu à leitura da carta remetida pelo mesmo em 10 de outubro de 2018, a qual também aqui se transcreve:

 

“Ex.ma Sra. Presidente,

Exmos. Srs. Vereadores,

Serve o presente para comunicar a minha renúncia como representante do Município na Assembleia Geral da Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M., com efeitos a partir de 31-10-2018, por motivos de ordem profissional e pessoal, que se traduzem na falta de disponibilidade para dar o acompanhamento exigido e necessário, inerente à minha função.

Não poderia deixar de agradecer a confiança depositada na minha pessoa sendo que, tenho também consciência do dever cumprido. “

Prosseguindo, a Sra. Presidente referiu que após a receção desta carta foi realizada uma reunião com o Sr. Albano Morgado tendo este anuído em permanecer no exercício de funções, razão pela qual o assunto não veio à reunião de Câmara.

Solicitou a palavra o Sr. Vereador João Graça indicando que, quando há quinze dias apresentou, em seu e em nome do Sr. Vereador Nuno Tomás, aquele pedido de agendamento do assunto, o fizeram com o conhecimento do pedido formulado pelo Sr. Albano Morgado em abandonar as funções para as quais teria sido nomeado, a que acresceu o entendimento de que o desempenho da empresa assume um papel de extrema importância no nosso concelho, e que, desse modo, não poderiam continuar a protelar a situação até à saída efetiva do mesmo. Neste momento, ao terem conhecimento do segundo e-mail, supra indicado, não lhes parece fazer sentido deliberar a designação de um novo representante a quatro meses da saída do atual. Mais aproveitou para reiterar o seu agradecimento ao Sr. Albano Morgado pela forma como tem desempenhado as suas funções na empresa municipal.

Prosseguindo, denotou a coincidência de estar presente no público, a pessoa que desempenhou o mesmo cargo no ano de 2013 ou 2014, o Sr. Pedro Graça que juntamente com o Sr. Engenheiro Pais, encontraram a empresa com um número de entradas na casa das 60 mil por ano, tendo conseguido duplicar as mesmas.

Acrescentou que, do seu ponto de vista, a empresa se encontrava com uma estrutura completamente diferente daquela que detinha, tendo-se conseguido manter o equilíbrio orçamental, bem como houve lugar à instituição de um deferente modelo de gestão, que por sua vez permitiu o planeamento de investimentos.

Indicou que, como Vice-Presidente, considera que a empresa se encontra longe do pretendido, e que, embora tenha dado um passo preponderante na sua estabilização, a mesma tem de ser mais do que a gestão do investimento Praia das Rocas, isto é, tem também que auxiliar o Município a desenvolver um modelo diferente para a implementação do Turismo no concelho, tem de auxiliar no combate à sazonalidade.

Constatou que a gestão do empreendimento da Praia das Rocas tem sido a alavanca do modelo de turismo e que, como é óbvio, não se pode descurar as centenas de pessoas que a visitam, mas a empresa tem também que diversificar o seu campo de ação bem como o modelo de Turismo, permitindo a captação de pessoas e de investimento privado em Castanheira de Pera.

Relativamente ao Sr. Albano Morgado, informou que, por diversas vezes, aquele manifestou que o desempenho de funções na empresa lhe retirava tempo para se dedicar à sua atividade empresarial, atividade essa que, para além de ser a mais importante no concelho, é de referência no distrito e no País. Acrescentou que diversas vezes, não por estas palavras, mas semelhantes, lhe teria transmitido que inúmeras famílias em Castanheira dependiam diretamente da fábrica e que isso era o mais importante. Foi por esta razão, esclareceu, que pressionou a Sra. Presidente para que, rapidamente, se tivesse uma solução para a empresa municipal Prazilândia. No entanto, neste momento, considerou não persistirem razões, a esta distância dos factos, para eleger um novo representante do Município na empresa municipal Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M.

Solicitou a palavra o Sr. Vereador Gonçalo Lopes para referir que de facto não há motivo para discutir isso hoje, no entanto, chegados a este ponto, não podem querer branquear o que havia sucedido e agir como se nada se tivesse passado.

Indicou que as explicações ora apresentadas pelo Sr. Vereador João Graça teriam sido muito vagas.

Reportando-se ao e-mail enviado pelo Sr. Albano Morgado, realçou que no mesmo vem indicado que os factos que deram origem ao pedido de substituição já teriam sido elencados pelo Sr. Vereador João Graça, pelo que questionou a este último, em que momento os teria elencado, tendo posteriormente afirmado que perante esta Câmara tal não teria sucedido.

Realçando o facto de, na última reunião, ter sido apresentada aquela proposta de agendamento em condições no mínimo particulares, “sui generis”, porque foi feita sem que houvesse um pedido expresso do Sr. Albano Morgado que lhe desse fundamento, afirmou que, em sua opinião, não deveriam ter despoletado a discussão naqueles moldes, questionando seguidamente, se têm noção do papel que estão a desempenhar, do prejuízo que causavam, da instabilidade que causaram junto da empresa, dos funcionários, do conselho de administração e junto do próprio Sr. Albano Morgado.

Prosseguindo, reiterou que sem existir, formalmente, nada que atestasse o pedido de demissão do Sr. Albano Morgado, o Sr. Vereador João Graça e o Sr. Vereador Nuno Tomás teriam proposto “destituir o representante do município na empresa municipal”, frisando que, efetivamente se tratou de uma tentativa de destituição “porque se não há demissão, não há substituição, se não há substituição, salvo melhor opinião, há destituição. Cremos nós. Mas tudo bem.

Pelos vistos a montanha ia parir um elefante, mas afinal vai parir um rato.”

Ainda a propósito deste assunto, realçou ter constatado que desde a apresentação do pedido de demissão, em 10 de outubro de 2018 até esta data, a Câmara soube zero acerca do mesmo.

Referiu que posteriormente àquela data (10/10/2018), há um conjunto de documentos que atestam a continuidade no exercício das suas funções do Sr. Albano Morgado, pelo que é incompreensível o pedido de substituição formulado na reunião anterior.

Acrescentou ainda, que o Sr. Albano Morgado se revelou generoso quando teceu um agradecimento à confiança demonstrada pelo Município, aditando que “Confiança quando os Srs. Vereadores lhe vêm pedir que seja substituído sem ele querer sair? Quer dizer, isto é uma confusão danada, grave. É um equívoco grave que prejudica e deprecia a imagem da empresa, do município e do concelho”.

Ademais, referiu que não podem, perante a gravidade do sucedido, querer passar com esta ligeireza ao lado da questão, ressalvando que, apesar da discussão em causa ser extemporânea, no mínimo, deve ser exigido um esclarecimento por parte do executivo ou por parte dos proponentes acerca do objetivo que desencadeou esta proposta.

Por conseguinte, evocou a história do “Pedro e do Lobo” aconselhando a sua leitura pelos presentes, tendo seguidamente, referido que os Srs. Vereadores e a Sra. Presidente estariam deslumbrados, no sentido da descoberta/aprendizagem, com o exercício do poder, o que numa primeira fase poderia ser aceitável, mas que no momento em questão já não o é e que já deveria ter sido ultrapassado, uma vez que agora se assumiria prejudicial para o concelho e para o município.

Prosseguindo, aconselhou também a leitura da fábula do “Sapo e do Escorpião”, que, por sua vez, retrata a deslealdade, tendo a mesma sido usada por si para comparar a posição adotada pelos Srs. Vereadores, acrescentando que “a Sra. Presidente nem precisa de advogados de defesa, e notem bem, para nós, Vereadores da oposição, se calhar até era mais confortável ficarmos sentadinhos a ver o circo a arder, do ponto de vista do aproveitamento politico, e se quiséssemos, se calhar até era mais confortável ficarmos a assistir a isto tudo”. Indicou que não entendem a razão pela qual, os Srs. Vereadores pretenderam fazer alterações num modelo que é reconhecido ser de sucesso.

Manifestou que a propósito da deslealdade, assistiram na última reunião a apresentação de uma proposta de inclusão do ponto na ordem do dia de hoje que não deu em nada, e que, pelos vistos, foi feito à revelia do conhecimento da Sra. Presidente, o que assume gravidade, indicando que o concelho necessita da coesão do executivo e que, por isso entende que têm, de uma vez por todas, de assumir uma postura mais responsável e mais condizente com o cargo que desempenham.

Dito isto, comentou que a situação traduzida numa palavra seria “irresponsabilidade”, considerando que tal não deveria ter acontecido.

Prosseguindo, afirmou que acompanham o raciocínio do Sr. Vereador João Graça de que, chegados a este patamar, deve ser ambicionado mais para a empresa, questionando, no entanto, o que é que tem sido feito pelo Município para diversificar o objeto da empresa e qual tem sido o entrosamento entre município e conselho de administração da empresa, referindo que estas questões se impõem até para perceber se existe boa vontade de ambas as partes ou se se enche o peito para afirmar que é necessário mais e mais, às vezes branqueando ou menosprezando aquilo que já se alcançou.

Continuando, evidenciou que muito ficou por esclarecer, referindo que haviam prestado de forma perfeitamente desnecessária e imatura, e do ponto de vista político até amadora, um péssimo serviço ao concelho.

Por fim, lamentou que o Sr. Albano Morgado ou o Sr. Presidente do Conselho de Administração da empresa municipal não estivessem presentes, na medida em que gostaria de saber como se sentiam perante o ocorrido, como é que vão trabalhar e com que condições vão trabalhar daqui em diante, acrescentando também que a irresponsabilidade manifestada não constitui um bom pronúncio para o futuro coletivo e apelou, mais uma vez, para que se entendessem.

Ressalvou que a divergência de opinião não tem de ser um problema, salientando, no entanto, que a par disso, tem de ser reunido um consenso para que não possa ser transmitido para o exterior uma imagem de completa desunião, como a demonstrada com a proposta de inclusão de um ponto, sem o conhecimento da Sra. Presidente.

Novamente no uso da palavra, o Sr. Vereador João Graça referiu que tinha ficado deslumbrado com “a capacidade teatral” do Sr. Vereador Gonçalo Lopes, acrescentando que o mesmo teria percebido perfeitamente o que se havia passado na anterior reunião, e que como já dissera, lhe teria sido transmitida a falta de tempo por parte do Sr. Albano Morgado e da sua intenção em terminar o seu mandato como representante do município na empresa municipal Prazilândia.

Acrescentou que, quando considerar que poderá estar em risco o melhor funcionamento de qualquer gestão pertencente ao município, usará os meios que detém ao seu dispor.

Por fim, referiu que a receção do e-mail consubstanciou uma alteração de circunstâncias que fez com que mudasse de posição pois já não faria sentido manter-se este ponto na ordem do dia, considerando que “sem demagogia”, quer o pedido formulado na anterior reunião, quer a sua intervenção de hoje se encontram esclarecidos.

Nesta senda, agradeceu o Sr. Vereador Gonçalo Lopes pela elogiosa intervenção do Sr. Vereador João Graça, acrescentando, no entanto, que não ficou satisfeito com os esclarecimentos prestados, desde logo porque o Sr. Albano Morgado teria dito “os factos que estão na origem deste pedido já foram elencados pelo Sr. Vice-Presidente”, questionando, novamente, quando é que tal teria acontecido.

Esclareceu o Sr. Vereador João Graça que os teria elencado há 15 dias quando referiu que tinha conhecimento da ausência de tempo do Sr. Albano

Morgado, bem como da sua intenção de sair e dos prejuízos que a assunção deste cargo lhe estaria a trazer para a sua vida particular e privada.

Contestou o Sr. Vereador Gonçalo que o modo utilizado na anterior reunião não seria o mais adequado para a resolução do problema, desde logo porque o Sr. Vereador João Graça não tinha na sua posse um documento que formalmente atestasse a intenção do Sr. Albano Morgado em abandonar as suas funções enquanto representante do município.

Dirigindo-se à Sra. Presidente, questionou se considera “normal ou aceitável” o sucedido há 15 dias, que por sua vez originou a inclusão deste ponto na ordem do dia, pois, se assim for, os Vereadores do PS têm de concluir “as coisas estavam cada vez pior”.

Prosseguindo, voltou a afirmar que para os Vereadores da oposição seria mais confortável assistir na bancada a tudo o que estava a acontecer, a desconexão do executivo e a evidente divergência sobre o assunto. No entanto, ressalvou que não tomam esta posição porque, pelos vistos, ao contrário do Sr. Vereador João Graça entendem que quem está atualmente no conselho de administração da empresa deve manter-se, deve continuar a ter condições para consolidar o trabalho feito até então, e sim, diversificá-lo quando as condições necessárias se acharem reunidas, concluindo que o que interessa aos Srs. Vereadores do PS é a salvaguarda da estabilidade da empresa, do concelho e que se evitem este tipo de episódios.

No uso da palavra, a Sra. Presidente esclareceu que em 10 de outubro o Sr. Albano Morgado teria, efetivamente, demonstrado a intenção de sair, mas que, e conforme já afirmou, após reunião ocorrida o mesmo concordou em permanecer considerando “da mais elementar justiça que quem esteve a trabalhar durante o ano, apresente as contas e na altura em que estamos acho que não faria sentido nenhum estar a haver qualquer alteração”.

Interveio o Sr. Vereador António Antunes, evidenciando que considera que aquela carta já nem produziria os seus efeitos, mas sim seria um complemento a todo o processo, acrescentando que classifica o sucedido, no mínimo, como “leviano”.

Novamente no uso da palavra, o Sr. Vereador Gonçalo Lopes referiu que muitas das vezes, infelizmente, “é que aparentemente os senhores perdem demasiado tempo com o que é acessório, acessório no sentido de não ser preciso debruçar-se, porque as coisas estão a correr bem. E esse tempo que os senhores perdem sobre o que é acessório, desvia-vos do objetivo central, que deve ser acrescentar àquilo que já está bem feito, acrescentar mais para que o resultado ara o concelho possa ser melhor. E, portanto, os senhores estão muito aquém. Vamos a mais de meio do mandato, e, do nosso ponto de vista, é óbvio que se encontram, muito, muito aquém. Termino dizendo que, essas e outras que já temos trazido aqui, comprovam que estão a prestar um péssimo serviço ao concelho, e isso nós não podemos deixar de lamentar.”

Por fim, referiu a Sra. Presidente que o exposto consubstanciaria o entendimento dos Srs. Vereadores, tendo encerrado a discussão e passado ao ponto seguinte da ordem do dia.

ATA N.º 8/2020

Reunião Ordinária de 8 de abril de 2020

  1. PRAZILÂNDIA, TURISMO E AMBIENTE, E.M. – REPRESENTANTE DO MUNICÍPIO NA ASSEMBLEIA GERAL

Considerando que, nos termos do n.º 2 do artigo 26.º da Lei n.º 50/2012, de 31 de agosto, em articulação com o disposto na alínea oo) do n.º 1 do artigo 33.º, do anexo I, da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, compete ao órgão executivo designar o representante do município na assembleia geral da respetiva empresa local.

Considerando que o atual representante do Município de Castanheira de Pera na Assembleia Geral da Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M. – Albano José Almeida Antunes Morgado Rodrigues – designado para o efeito por deliberação tomada pela Câmara Municipal em reunião ordinária de 24/11/2017, formalizou, através de carta registada, datada de 28/02/2020, a sua renúncia ao cargo, com efeitos a 31 de março;

Considerando que, através de e-mail remetido em 06/04/2020, Albano José Almeida Antunes Morgado Rodrigues informou que, em face das circunstâncias atuais provocadas pela estado de Pandemia (Covid 19), se verifica um atraso, justificado, na apresentação e aprovação das contas da Prazilândia, respeitantes ao ano de 2019, mas que tais circunstâncias em nada alteram a comunicação que efetuou através da referida carta;

Urge, pois, proceder à designação de novo representante para o cargo em causa, sem descurar o atual contexto de pandemia e as consequências que daqui podem advir, nomeadamente, para a atividade normal da empresa municipal, com eventuais reflexos negativos no seu desempenho. De facto, é fundamental que, perante as atuais circunstâncias, a articulação entre ambas as entidades seja especialmente acautelada, de molde a precaver ou, pelo menos, mitigar, eventuais repercussões negativas para o Município.

Nestes termos, propõe-se que a Câmara Municipal delibere designar como novo representante do Município na Assembleia Geral da Prazilândia, Turismo e Ambiente, E.M. a Presidente da Câmara Municipal, Alda Maria das Neves Delgado Correia de Carvalho.

DELIBERAÇÃO:

Proposta aprovada por maioria e em minuta, com a abstenção dos Vereadores João Graça e Nuno Tomás.

O Vereador João Graça apresentou uma declaração de voto, procedendo à sua leitura, cujo teor a seguir se transcreve:

“Declaração de voto

Não estou de acordo com a indicação da Presidente para representante do município na empresa municipal Prazilândia pelos seguintes motivos:

O pelouro do turismo foi-me atribuído, tenho um projeto estruturado para o município e não estou confortável com a forma com a Prazilândia está a ser gerida nomeadamente, pela importância da Praia das Rocas na atividade turística e económica do concelho a Prazilândia tem que ter à sua frente um profissional de turismo que retire o máximo da Praia das Rocas e que eleve a atividade da Prazilândia a outro nível. Não está em causa a capacidade técnica do atual administrador enquanto economista ou gestor, mas acresce, de conhecimentos específicos no setor ainda mais exercendo esta atividade em part-time.

Não se conhecem ainda os números da gestão atual do ano anterior o que é incompreensível dada as receitas da empresa acontecerem na sua esmagadora maioria no verão e terem-se passado 7 meses desde o encerramento da Praia das Rocas. Nesta altura, é certamente possível ter um balancete de fecho de 31/12/2019 para se poder ter uma ideia do resultado económico de 2019 e poder fazer um juízo sobre o trabalho da administração no ano passado. Apesar da pouca atividade neste período, neste primeiro quadrimestre, ainda tenho a informação que vai ser atrasada a entrega das contas para Junho, aproveitando a legislação que entretanto saiu face ao Covid, o que não se percebe dada a pouca ou nenhuma atividade da empresa nesta altura do ano.

Não se vê dinamismo nem cumprimento das obrigações definidas nos contratos-programa com que podemos constatar face à situação do ginásio, parque infantil ou lagar do Corga. A gestão da Prazilândia tem sido feita de uma forma casuística e sem uma aparente estratégia integrada. A Sra. Presidente entende que a empresa municipal Prazilândia se deve limitar à gestão do empreendimento Praia das Rocas e sem qualquer intervenção do Município. Eu entendo que não, a empresa municipal Prazilândia deve ter uma gestão de estratégia integrada, seguir as orientações do município e desenvolver, pelos seus meios, forma de melhorar essa estratégia. Devem ser dadas ferramentas e formação para que os seus funcionários possam desenvolver da melhor forma o seu trabalho, trabalho este que passa acima de tudo pela promoção turística do concelho.”

Em seguida, interveio o Vereador Gonçalo Lopes para informar que também pretendia apresentar uma declaração de voto.

Mas, antes disso, referiu querer colocar uma questão em termos regimentais, passando a citar:

“Nós não temos nenhuma pretensão, até porque em termos de regimento isso não está previsto, portanto não é possível, não nos compete comentar, ajuizar aquilo que é o teor de qualquer declaração de voto, nomeadamente da que acabámos de escutar. Eu queria só perceber se, em termos de regimento se eu ler a declaração de voto primeiro depois já não podemos discutir mais nada ou discutimos primeiro e eu gostava de tecer dois ou três considerandos. As declarações de voto não são comentadas e não é esse o teor, eu não quero comentar nada, nós achamos é que o sentido de votação é um e a declaração de voto traduz um sentimento ou substantiva uma posição diferente, mas isso não é um problema. O que é um problema é de facto esta assunção clara de uma divergência de fundo dentro do executivo. Não é, infelizmente, caso novo, portanto isto é até um déjà vu em moldes diferentes porque da última vez que o assunto veio a esta Câmara os Senhores Vereadores do Executivo em funções votaram contra, hoje abstiveram-se o que é absolutamente legítimo e respeitável e não é por aí que queremos ir, agora há efetivamente aqui uma inegável cisão dentro do executivo, e essa cisão não pode, do nosso ponto de vista, deixar de ter uma leitura e a devida repercussão política, parece-nos, sob pena de estarmos todos aqui a ser enganados, todos mesmo uns em relação aos outros, podendo estar aqui num contexto em que nos estamos aqui a enganar mutuamente e, com isso, o que é mais grave, estaremos no limite a enganar quem nos elegeu para estarmos aqui a representá-los, isso é absolutamente inaceitável do nosso ponto de vista. Os senhores têm, de uma vez por todas, de assentar arraiais e definir em que moldes é que querem trabalhar, se é que conseguem trabalhar assim, eu francamente tenho muitas dificuldades, nós temos muitas dificuldades em perceber como é que funciona um executivo assim. Francamente a leitura que fazemos de fora porque não temos nem temos que ter uma perceção mais aprofundada daquilo que é a dinâmica do vosso trabalho, agora é inegável que isto prejudica, tem de prejudicar o vosso relacionamento e por isso o vosso trabalho e o resultado. Diríamos mesmo, que começamos a encontrar respostas para tantos e tantos problemas que sistematicamente temos trazido a esta Câmara e que não evolui, não se materializam soluções e os Senhores têm de, responsavelmente, definir em que moldes é que querem trabalhar uns com os outros porque estamos a prejudicar o concelho e, neste caso concreto, criar uma situação de instabilidade naquilo que é a designação do representante também não é solução, por isso é que votámos a favor. Portanto, estamos a viver um momento de absoluta excecionalidade que, do nosso ponto de vista, devia ser motivo de consensos e são os Senhores que não conseguem criar consensos entre vós, isto é, no mínimo paradoxal, não sei como classificar isto. Agora, não se escudem por favor nem em declarações de voto nem em silêncios ensurdecedores para fugir a esta questão, os senhores têm que se definir, os senhores têm que arranjar metodologia que consiga construir consenso, se não conseguirem construir consenso não conseguem fazer obra, não conseguem avançar e quem perde com isso é Castanheira e os castanheirenses e os Senhores têm que assumir essa responsabilidade ou, a falta dela. Portanto, latus sensus para não entrar aqui, porque não quero mesmo, não é elegante, não é cordial, do ponto de vista do debate político, eu não quero tecer nenhuma consideração àquilo que o Sr. Vice-presidente leu sobre a forma de declaração de voto, não quero mesmo nem posso mas há aqui uma situação que substantiva uma legitima e fundada preocupação da nossa parte que é, como é que conseguem trabalhar nestes moldes, como é que vai ser daqui para a frente. Aliás, acho que mesmo entre vós, se calhar estou aqui a meter demasiado a foice em seara alheia, perdoem-me por isso, é para bem de todos, objetivamente, se entenderem que pode ser produtivo, que se faça uma reunião de Câmara para discutir este assunto em profundidade, naquilo que é a Prazilândia, o que é que se pretende para futuro porque senão, não sei. Os Senhores têm que perceber de uma vez por todas que a estabilidade da empresa é absolutamente capital para o desenvolvimento do nosso concelho naquilo que é um dos vetores fundamentais de desenvolvimento, os Senhores já assumiram isso, agora não é aceitável esta divisão entre vós, é muito menos aceitável esta divisão óbvia entre Câmara e Prazilândia, porque já percebemos que não há aqui entrosamento, isso prejudica os resultados finais, prejudica, estamos de acordo com isso. Agora, há que apurar responsabilidades e agir em conformidade, nós não conseguimos aqui conceber como é que vocês conseguem trabalhar ou então não trabalham, é cada um por si, façam-nos um favor tirem-nos deste filme. Não é responsável a vossa atitude e eu não estou aqui a dizer que o culpado é A ou B ou C, isto não é normal e portanto sugerimos que façam alguma coisa porque eu acho que o nosso concelho merecia outra dignidade, não quero ser ofensivo, outra dignidade do ponto de vista de ação política e outro compromisso por parte de quem está a dirigir o concelho e os senhores estão claramente muitos, muitos furos abaixo daquilo que é exigível de quem desempenha funções de poder autárquico. Não posso dizer muito mais”.

Prosseguiu, informando que iria proceder à leitura da tomada de posição dos Vereadores do PS, nesta matéria:

“Declaração de voto”

Em face da proposta de deliberação para a nomeação de um representante do município na assembleia geral da Prazilândia, os Vereadores do Partido Socialista votam a favor da designação, neste caso da Senhora Presidente, atendendo aos seguintes pressupostos:

Considerando que perante a proposta apresentada pela Senhora Presidente os Vereadores do PSD mais uma vez demonstraram não estar à altura do lugar que ocupam votando de forma divergente da sua colega de equipa de Executivo;

Considerando que a presente situação de confronto público tem vindo a ser assumida de forma reiterada (efetivamente e infelizmente não é a primeira vez que assistimos a isto);

Considerando que esta mesma situação que julgamos inoportuna, irresponsável e de clara afronta coloca em causa, uma vez mais, a estabilidade governativa quer da Câmara Municipal quer, no caso concreto, da empresa municipal Prazilândia;

Considerando que os Vereadores do Partido Socialista sempre assumiram uma posição de responsabilidade, de crítica construtiva, num caminho de solução, nunca de confronto, sempre no superior interesse do Concelho e dos Castanheirenses;

Considerando que o atual momento deveria ser de convergência, união, responsabilidade e nunca um momento de traições ou atropelos à lealdade;

Considerando que os Vereadores do Partido Socialista não se reveem nestas práticas adotadas de jogo político pelos Vereadores do PSD;

Decidimos votar a favor da presente proposta atendendo à situação conjuntural no momento do concelho e, designadamente, da empresa municipal, reiterando a possibilidade, se entenderem, de se convergir numa solução de consenso através da realização de uma reunião extraordinária que, do nosso ponto de vista, deveria substantivar uma retirada clara da confiança política aos Vereadores do PSD, bem como todos os pelouros que lhe estão confiados e, consequentemente, a demissão dos mesmos por não reunirem as condições necessárias para continuarem a representar o povo que os elegeu.

Os Vereadores do Partido Socialista,

Castanheira de Pera, 8 de abril de 2020.”

 

Finda a leitura, o Vereador Gonçalo Lopes passou a explicar: “há aqui efetivamente uma quebra de confiança clara, o que esta votação, do nosso ponto de vista, transmite é que há quase aqui uma inversão do ónus e reparem os Senhores, atentem no seguinte, poderíamos aqui legitimamente terá assistido ao que assistimos na última reunião em que este assunto esteve em cima da mesa.

Os Senhores Vereadores do PSD vinham com uma proposta alternativa à proposta da Sra. Presidente, portanto dentro da mesma equipa surgiam duas propostas diferentes, e nós até poderíamos ter baralhado mais o jogo, chegávamos aqui e apresentávamos mais um problema para cima da mesa e dizíamos assim, não, nós também temos aqui uma proposta preconizada por nós. Sabem qual seria o resultado se quiséssemos ser todos irresponsáveis? Não passava nenhuma proposta, os Senhores votavam contra a nossa proposta, nós votávamos contra a proposta da Sra. Presidente, a Sra. Presidente votava contra as propostas dos seus vereadores e tínhamos aqui uma salsada das maiores, e eu pergunto: Que imagem é que este órgão quer passar lá para fora? E deixo a pergunta no ar, não precisam de me responder. Como é que se sentem depois disto tudo? Que imagem é que querem passar para a empresa municipal? Para os Castanheirenses? Que futuro e que caminho é que querem para aquela empresa?

Qual é a leitura que fazem do que aqui se passou outra vez?”

Interveio a Presidente da Câmara referindo: “Eu vou-me permitir só dizer duas coisas. Os pressupostos desta deliberação estão cá, efetivamente o atual momento que vivemos acho que não é, tem de ser salvaguardado ambas as partes, e depois é assim, o voto é livre e é espontâneo de cada um que o pratica.

Aquilo que eu acho que é importante é garantir os destinos do concelho e o bem estar dos munícipes e o interesse público estar acima de tudo isto. No momento em que achar que estes objetivos que tiveram por base a minha eleição não estão a ser alcançados vou ter de fazer outra reflexão. É o que tenho a dizer em relação a este tema.”

Em seguida, interveio o Vereador João Graça referindo que também gostava de tecer algumas palavras, referindo então o seguinte: “Eu percebi agora, não tinha ainda percebido. Primeiro, percebi que os Vereadores do PS tiveram conhecimento desta deliberação, provavelmente, antes de mim e do Vereador Nuno porque ao meio-dia tive que telefonar à Sra. Presidente para saber o que é que tínhamos na reunião em relação a esta deliberação porque eu não sabia qual tinha sido a decisão da Sra. Presidente porque não a tinha discutido comigo e percebi que os Deputados do PS já tinham conhecimento desta situação vindo munidos, já, com uma declaração de voto pré-escrita. Percebi agora também, eu até tenho alguma dificuldade em abordar isto, porque o Vereador Gonçalo já várias vezes utiliza isto, que não é elegante, que não é cordial, mas acaba por fazer e há aqui um contra senso porque eu noto que existe a pessoa do Vereador Gonçalo que eu acho e vou concretizar isso um dia que saia daqui, destas funções, que tem bom fundo e depois há o jogo político que passam a vida a fazer e que os leva a ter este tipo de atitudes e de comportamentos que não é o de defender o interesse do Município de Castanheira de Pera mas é o de fazer uma estratégia política que eu agora estou aqui a perceber que tem outros contornos que eu não conhecia. Porque, eu percebi agora que teve conhecimento antes de mim desta deliberação, não sei se está orquestrado, com quem e por onde, mas que há aqui um conhecimento antecipado desta situação, há, e mais estranho ainda é que vem apontar uma cisão em relação a este tema e não aponta cisões minhas em relação à Sra. Presidente ou aos próprios vereadores noutras situações. Já percebeu, há muito tempo, que há uma cisão grande por exemplo na situação das águas, eu não tenho exatamente o mesmo entendimento da Sra. Presidente. Nunca aqui veio ficar espantado por haver uma cisão dentro de Executivo e noutros temas.

Portanto, o que eu tenho a dizer é o seguinte, eu fui eleito para defender os interesses de Castanheira de Pera sempre que eu estou convencido que eles estão em causa, seja contra a opinião do Vereador Gonçalo, do Vereador António, do Vereador Nuno ou da Presidente Alda. E, enquanto aqui estiver, neste lugar eu vou fazer isso, umas vezes acertarei e outras vezes não acertarei, mas é isso que eu vou fazer, e tenho pena como vosso conterrâneo, como pessoas que eu conheço da vida toda, que isto seja assim porque eu tento que não seja assim.

Quero lá saber da política, eu quero saber é dos interesses da minha terra, eu quero lá saber quem é que está à frente das coisas, eu quero é que façam o melhor possível. Quando eu estiver convencido que não estão a fazer o melhor possível eu terei que me manifestar e é o que farei como parte deste executivo, ou de outro, ou individualmente. Se eu estou convencido que não se estão a tomar as melhores opções eu tenho que ser frontal. Fi-lo em privado, não consegui resultados, tenho de o fazer aqui porque quem me elegeu e a quem eu devo responsabilidades são as pessoas que votaram em mim, portanto não tenho mais nada a dizer”.

Na sequência, interveio novamente a Presidente da Câmara referindo: “Eu só tenho aqui uma coisa a dizer, o Sr. Vereador pode entender aquilo e pode tirar as ilações daquilo que quiser, agora não tem é que estar a deduzir ou fazer ilações que acho que não lhe ficam nada bem”.

Interveio o Vereador João Graça respondendo: “Eu não deduzi, eu afirmei.

Alguém teve conhecimento antes de mim do que se ia aqui passar, está gravado”.

Na sequência da resposta, a Presidente referiu: “Eu por acaso não tenho a sua leitura…”

Interrompeu o Vereador Gonçalo Lopes dizendo: “E até está escrito, eu até lhe vou dizer mais, antes de o tentar elucidar vou dizer uma coisa, e não é Sr. Vice-presidente é João Graça. Eu não tenho absolutamente nada, mas nem isto contra ti, e é a primeira vez que te estou a tratar por tu”.

Nesta senda, interveio o Vereador João Graça dizendo: “Foi o que eu acabei de dizer Gonçalo. Tu para mim és um contra-senso enorme, porque tu consegues fazer uma coisa que eu não consegui fazer e que eu até acho que é importante na política só que eu não estou cá pela política.”

Volvendo, o Vereador Gonçalo Lopes continuou dizendo: “Deixa-me terminar, porque este momento também é preciso nem que o apaguem da ata.

Este momento é preciso entre nós e é o momento de dizer isto, é a primeira vez que te estou a tratar por tu no âmbito daquilo que é um debate institucional em sede de Câmara Municipal e sinto necessidade de o dizer. Eu tenho o dever institucional de respeitar quem está eleito democraticamente e, portanto, está no exercício do cargo e para mim aqui, a esta mesa, é o Sr. Vice-presidente da Câmara Municipal, ponto. Mas agora não estou a falar para o Vice-presidente, estou a falar para o João Graça. Eu não tenho absolutamente nenhum motivo pessoal para dizer o que quer que seja contra ti, ponto prévio. E àquela porta para fora, tranquilo da vida, já tentei dizer isto aqui dúzias de vezes, no âmbito daquilo que é o debate, nós também fomos eleitos para estar aqui e a diferença que nos distingue até foi a uma margem muito pequena portanto nem vale a pena ir por aí, no âmbito daquilo que é o debate político o Sr. Vice-presidente, e agora falo para o Sr. Vice-presidente, teceu um conjunto de considerações absolutamente lamentáveis mas que só vêm é adensar aquilo que eu acabei de dizer. A química entre vós é uma coisa perfeitamente lírica, não existe, tenho dúvidas se alguma vez terá existido, e deveria, e repare o contra-senso é ser eu ou sermos nós a ter que dizer isto, a coesão institucional do Executivo é um pilar absolutamente crucial para o sucesso da vossa ação e, o sucesso da vossa ação é o sucesso da nossa terra, encantados da vida com isso. Quando for tempo de eleições, depois cá estaremos para isso, para fazer o jogo político. O jogo político que eu estou aqui a fazer é no sentido de, se os Senhores não estão a conseguir assegurar qualidade no vosso trabalho porque não há debate, não há discussão, presumo, daquilo que vejo. Não estão a prestar um bom serviço, não estão à altura das vossas responsabilidades, há efetivamente uma quebra de confiança política, isso é inequívoco. E até lhe vou dizer mais, e por isso é que as suas informações não correspondem à verdade, a nossa declaração de voto, nós até vínhamos preparados para chegar aqui hoje e ver o Sr. Vice-presidente indicar uma proposta em alternativa àquilo que foi a proposta da Presidente. E vínhamos preparados para os Senhores votarem contra a proposta da Sra. Presidente. Eu quando li aqui, não li o que está aqui escrito, tive que reformular porque os Senhores abstiveramse por isso é que disse divergente e não disse contrária. O que está aqui escrito é contrária e eu disse divergente, está gravado como o senhor muito bem disse. Está a perceber Sr. Vice-presidente, duas coisas que lhe quero dizer, não tivemos acesso a qualquer informação antes, aliás seria precedente, nunca temos, em nenhum assunto, estamos sempre a queixar-nos disso, não tivemos nenhum acesso. Agora, obviamente que, para nós, à semelhança do que aconteceu em novembro, na linha do que aconteceu em novembro, a Sra. Presidente propor-se-ia e, na nossa ótica, no filme que nós desenhámos, no cenário que nós desenhámos, sim no filme, no cenário que traçámos porque discutimos, preparamos as reuniões, sabe o que é isso? Preparamo-nos, quando vimos para aqui, preparamo-nos e discutimos cenários até porque temos de adequar a nossa ação em função dos cenários que traçamos, eu acho que não há nenhum mal nisto, não há jogo político nenhum, ou melhor há jogo político, não é partidário é político, o que estamos aqui a fazer é político, e vínhamos preparados para os Senhores votarem contra. Agora, o que eu acho é que os Senhores com cautela, cautelas e caldos de galinha nunca  fizeram mal a ninguém, não vieram votar contra, vieram abster-se, mas depois, dizer que não concordam com a posição, com a declaração de voto, que é legítima, é vossa, é da vossa autoria, portanto aí não mexo. É a leitura que eu faço e eu acho que os Senhores devem fazer uma leitura, é só isso que humildemente peço que façam em nome daquilo que é um bem maior, que é o nosso concelho. Eu não tenho dúvidas que o Senhor queira o melhor para a nossa terra, não tenho dúvidas, eu nunca o acusei disso. Pode é não estar, no nosso ponto de vista, pode não estar no caminho certo para atingir esse fim, é só isso, é uma divergência de opinião”.

Interveio novamente o Vereador João Graça respondendo: “Isso é rigorosamente verdade, das duas, uma, ou, eu estarei enganado e o Vereador Nuno ou estarão os Senhores e a Sra. Presidente certos. Agora se eu tinha alguma dúvida em relação ao conhecimento que os Senhores tinham desta situação ficou agora esclarecida, acabou de ficar agora esclarecida. Eu percebi exatamente, se tivesse alguma dúvida, que os Senhores tiveram conhecimento de que ia haver a dissonância entre a Sra. Presidente e os Vereadores Nuno e eu. Aliás até sabiam mais, que eu ia votar contra e tiveram que adaptar porque nós abstivemo-nos”.

Intervieram os Vereadores do PS questionando: “O que é que aconteceu aqui em novembro?”

Volvendo, o Vereador João Graça referiu: “Eu só vos tenho a dizer que realmente, ao meio-dia quando a Sra. Presidente disse que ia fazer isso, eu disse-lhe que ia votar contra, coincidência enorme, não tenho mais nada a dizer”. De imediato, a Sra. Presidente respondeu: “Desculpe lá, mas isto é inadmissível”.

Interrompendo, intervieram, novamente, os Vereadores do PS referindo “isso é lamentável”, tendo continuado o Sr. Vereador Gonçalo Lopes referindo “não sei o que a Sra. Presidente quer fazer aqui, francamente não queria estar no seu lugar, do ponto de vista político temos-lhe apontado, aqui, no sítio próprio alguns calcanhares de Aquiles, muitas divergências, é natural que assim seja, mas assim…”.

Nessa sequência, gerou-se uma troca de considerações sobrepostas, tendo o Vereador Gonçalo Lopes referido “se eu fosse Presidente de Câmara, o Senhor ou qualquer membro do meu Executivo, a partir deste momento, não tinha a minha confiança, ponto final. Vou ser muito claro e isto não tem nada a ver com o nosso relacionamento pessoal, percebe? Se eu fosse Presidente de Câmara eu não admitia quebras de lealdade, ponto. Ou então saiam todos, sei lá, façam alguma coisa, assim não”.

Intervindo, novamente, a Presidente da Câmara colocou um ponto final na discussão referindo: “é uma reflexão que irei ter de fazer depois daquilo que se ouviu aqui agora, como é óbvio”.

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