Cruz Vermelha Portuguesa reforça resposta às vítimas com novo Gabinete de Apoio em Matosinhos
Foi inaugurado, esta semana, o Gabinete de Apoio à Vítima (GAV) de Matosinhos, uma nova estrutura de atendimento e acompanhamento próximo a vítimas de crime, com particular atenção aos casos de violência doméstica que nasce de um protocolo tripartido entre o Ministério da Justiça, a Procuradoria-Geral da República e a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP). Trata-se do primeiro GAV em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa, integrando uma rede com um total de 13 gabinetes a nível nacional.
Com atendimento confidencial, informação jurídica, acompanhamento ao longo do processo e encaminhamento para respostas sociais e psicológicas, o GAV procura assegurar uma intervenção centrada na proteção, autonomia e acesso efetivo das vítimas à justiça.
Após o descerramento da placa, realizado pela Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, pelo Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, e pelo Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, António Saraiva, foi formalizada, perante os convidados, a assinatura do protocolo celebrado pelas três entidades.
Na intervenção que se seguiu, o presidente da CVP, António Saraiva, sublinhou que o combate à violência, em especial à violência doméstica, está no centro da atuação da instituição. “É uma prioridade estratégica da Cruz Vermelha Portuguesa mitigar o fenómeno de violência doméstica, entendendo esta como uma das mais graves violações dos direitos humanos”, afirmou, destacando que a CVP tem vindo, desde 2007, a desenvolver “de forma organizada e estruturada” a intervenção na prevenção e reparação da violência doméstica e de género, através da assistência direta, prevenção e advocacia junto de parceiros e sociedade.
O responsável reforçou ainda o enfoque na proteção de mulheres, crianças e jovens, sustentado pelos dados recolhidos no terreno. Em 2025, a Cruz Vermelha Portuguesa acompanhou 1.991 processos de vítimas de violência doméstica, através de sete estruturas de atendimento especializado e cinco equipas de acompanhamento psicológico a crianças e jovens. Deste total, 1.549 correspondiam a adultas vítimas de violência doméstica, um aumento de 8% face a 2024 e 442 a crianças e jovens acompanhados em respostas de apoio psicológico, representando um crescimento de 16%.
No âmbito da proteção imediata, a CVP dispõe ainda de de sete respostas de acolhimento de emergência para mulheres e menores a cargo, bem como uma Casa Abrigo para estadias de média duração. Em 2025, foram acolhidas e acompanhadas 838 vítimas de violência doméstica, mais 13% do que no ano anterior.
A intervenção da CVP inclui ainda acompanhamento social, psicológico, jurídico e interinstitucional. Ao longo de 2025, foram realizados 6.407 atendimentos presenciais e 10.719 atendimentos não presenciais, registando aumentos de 4% e 18%, respetivamente, face a 2024. Foi também destacada a tendência crescente das consultas de apoio psicológico, com um aumento de 9% no acompanhamento de adultos e de 26% no apoio a crianças e jovens vítimas de violência doméstica.
A delegação da CVP em Matosinhos foi apontada por António Saraiva como uma peça-chave na resposta local,
por reunir “de forma articulada e complementar respostas estruturantes” na área, assegurando um ciclo de
apoio e acolhimento pelo que “a inauguração deste gabinete é de enorme relevância e contribui para o combate
à violência doméstica, reforçando a resposta integrada, especializada e humanizada às vítimas, desde o primeiro atendimento até a sua proteção, acolhimento e acompanhamento em contexto judicial, garantindo maior
proteção e dignidade às pessoas que recorrem a este serviço”.
O responsável da CVP deixou um apelo para que estas respostas tenham financiamento regular e menos
constrangimentos burocráticos, defendendo que a articulação entre entidades, forças de segurança, serviços de
saúde e sistema judicial é “absolutamente essencial” no combate à violência doméstica.
A CVP integra a Rede Nacional de Apoio à Vítima e é, hoje, uma das instituições com maior cobertura nacional
nas respostas de apoio à violência doméstica, oferecendo ação imediata através das respostas de acolhimento
de emergência para mulheres e menores a cargo, uma casa-abrigo para dias de média duração.

Crédito das fotos: Miguel Bessa




