A hora vai mudar. Sabe quando e porquê?

Na madrugada de sábado para domingo, quando o relógio marcar 2h, os ponteiros deverão ser atrasados 60 minutos. Boas notícias para quem precisa dessa hora extra para colocar o sono em dia; más notícias para quem é contra a mudança de hora e a adopção do chamado “horário de Inverno”.

Qual é o objectivo desta mudança?

Tirar o melhor partido possível da luz do dia. Segundo o The Guardian, atrasar o relógio permite transferir uma hora de luz do fim do dia para o início, o que poderá ser mais útil para a maioria das pessoas. O oposto acontece na Primavera.

Quando é que isto começou?

É preciso recuar mais de 200 anos para encontrar a origem deste sistema. Porém, tornou-se mais usual durante a I Guerra Mundial devido à escassez de carvão, que obrigava à adopção de uma estratégia que permitisse poupar energia. Era mais importante ter luz do sol durante a manhã do que durante a tarde. O Reino Unido deu o mote e os restantes países europeus seguiram o exemplo, ainda que se tenha registado um hiato entre 1918 e as crises energéticas da década de 70.

O que acontece este ano?

Todos os países da União Europeia terão de atrasar os relógios na madrugada de domingo. É obrigatório por lei, indica o The Guardian, sublinhando que o objectivo é evitar a proliferação de diferentes sistemas nas várias geografias da comunidade. Nos Estados Unidos da América, a hora também muda, mas somente no primeiro domingo de Novembro.

A Nova Zelândia, por seu turno, avança os ponteiros dos relógios no final de Setembro, ao passo que a Austrália apresenta um sistema que abrange apenas parte do país: só os estados que ganham alguma coisa com a mudança alteram a hora, como é o caso de New South Wales ou Tasmânia. Neste caso, a mudança já ocorreu no primeiro domingo de Outubro.

Quais são as principais consequências?

Além da possibilidade imediata de poder dormir mais uma hora, a mudança pode implicar outras consequências. A utilização de energia, a agricultura e o humor são algumas das áreas impactadas.

Existem opiniões favoráveis e desfavoráveis sobre qualquer um destes aspectos. Há quem diga que não existe uma poupança energética porque continua a ser necessário lavar roupa ou trabalhar ao computador. Por outro lado, há quem veja benefícios para a saúde na exposição solar mais prolongada e quem aponte para uma potencial disrupção do ritmo cardíaco. Estudos citados pela mesma publicação britânica revelam que o risco de ataque cardíaco aumenta nos três primeiros dias após a alteração da hora na Primavera.

Qual é o impacto económico?

Aqui também não existe consenso. Apesar de ser comum dizer-se que a mudança horária impacta positivamente a economia – com os sectores do retalho e turismo a beneficiar da hora extra de luz nas tardes de Verão – também é verdade que algumas indústrias podem sofrer com esta alteração. A agricultura, por exemplo, não é fã do impacto na ordenha das vacas ou nas colheitas de cereais.

É perigoso?

A segurança está essencialmente relacionada com a condução. As horas de ponta são entre as 8h e as 10h e, mais tarde, entre as 15 e as 17h, o que faz com que o período da tarde de maior trânsito aconteça essencialmente às escuras. Registam-se mais acidentes durante este altura e alguns estudos apontam a mudança de hora como um factor de peso.

É popular?

Um estudo da YouGov sugere que a maioria das pessoas é a favor desta mudança: 44% gostaria de manter o sistema em vigor contra os 39% que preferiria não ter de mexer nos relógios.

Quais os países que não querem saber?

Cerca de 70 países optam por mudar a hora e tentar “poupar” uma hora de luz do dia. Contudo, para países junto à linha do equador, por exemplo, não faz muito sentido porque a diferença é reduzida. Os países islâmicos também não têm por hábito recorrer a este sistema, uma vez que durante o Ramadão isso pode significar que o jantar seja atrasado ainda mais. A maioria das geografias do Este Asiático e de África também não estão interessados em adoptar este sistema.

Este ano, o Parlamento Europeu votou a possibilidade de acabar com a existência de dois horários diferentes – com mudanças na Primavera e no Outono – até 2021. Caso a proposta seja aprovada, antecipa-se uma longa discussão com países a querer aderir e outros a recusar a imposição.

E o Brexit?

O facto de o Reino Unido deixar a União Europeia poderá ter algum impacto neste tema? O The Guardian indica que sim. Caso o Reino Unido saia mesmo da comunidade e a UE avance com o fim da mudança de hora, o cenário poderá ficar um pouco confuso: em última instância, a Irlanda do Norte e a República da Irlanda poderão ficar em fusos horários diferentes durante metade do ano. Assistiríamos à criação de uma fronteira com base no tempo.

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