Pedrógão Grande. Ex-gestor do Revita destaca reconstrução das casas de primeira habitação

"Não apoiámos [a reconstrução de] segundas habitações, no meu mandato nenhuma obra foi adicionada às que já vinham de trás", garantiu António Mendes Lopes no Parlamento.

O ex-representante dos três municípios mais afetados pelos incêndios de Pedrógão Grande [junho de 2017] no fundo Revita, disse hoje, dia 30 de Setembro,  na Assembleia da República, que apenas foram apoiadas a reconstrução de casas de primeira habitação.

“Não apoiámos [a reconstrução de] segundas habitações. No meu mandato nenhuma obra foi adicionada às que já vinham de trás”, relatou António Mendes Lopes esta terça-feira à tarde, durante a audição presencial na comissão Eventual de Inquérito Parlamentar à atuação do Estado na atribuição de apoios na sequência dos incêndios de 2017 na zona do Pinhal Interior.

António Mendes Lopes, chefe de divisão do município de Figueiró dos Vinhos e engenheiro civil de formação, integrou cumulativamente, entre 25 de setembro de 2018 e 30 de setembro de 2019, o conselho de gestão do fundo Revita, criado para apoiar a reconstrução das casas destruídas pelo incêndio, em representação das Câmaras de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.

O técnico disse aos deputados que o seu mandato coincidiu com a fase em que apenas entraram no Revita pedidos de pagamento de autos de medição de obras em execução e que os pagamentos foram suspensos “para efeitos cautelares” na altura em que foram denunciados casos de irregularidades nos apoios à reconstrução.

“Não estive na análise de propostas nem de atribuição de apoios. Já apanhei as obras adjudicadas e em curso e, se alguma coisa correu mal, e julgo que não correu mal”, terá sido antes, disse António Mendes Lopes, salientando que se tratou de um processo “complicadíssimo de montar àquela velocidade”.

Em resposta aos deputados, o ex-representantes dos três municípios mais afetados pelos incêndios de junho de 2017 no fundo Revita, disse que o país, “não Pedrógão Grande”, precisa de um “verdadeiro” reordenamento florestal rapidamente, “porque sem isso é tudo [cuidados] paliativos”.

“Daqui a uns anos, se nada fizer, volta a acontecer exatamente a mesma coisa. Enquanto país, a grande obrigação que temos é olhar também para o interior na perspetiva de ordenar a floresta, que se transformou em monocultura”, disse António Mendes Lopes, considerando que, em termos ambientais e de potenciação de catástrofes, “isso é terrível”.

Salientando que os apoios são sempre insuficientes, deixou o retrato de um território em que as segundas habitações estão por reconstruir e as aldeias “em ruínas”, que exige “um trabalho enorme, que não sei se o Governo tem capacidade” para atender a todas as situações.

Relativamente ao incêndio de junho de 2017, António Mendes Lopes entende que a Proteção Civil tem de se preparar para situações daquele género, considerando que o fogo de Pedrógão Grande deve ser visto como um modelo de aprendizagem.

O incêndio, que deflagrou em 17 de junho de 2017, em Escalos Fundeiros, no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e que alastrou depois a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.

O início do julgamento do processo sobre a reconstrução das casas de Pedrógão Grande que arderam no incêndio de 2017 foi adiado para dia 26 de outubro após pedido de prorrogação de prazo por parte da defesa.

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