Secretário-geral da UGT interrompe “quarentena” para encontro com o Presidente da República

Falta de apoio a trabalhadores pode levar a uma "convulsão social"

A UGT manifestou ontem, 01 de Abril, ao Presidente da República a sua preocupação pelos postos de trabalho face aos efeitos da pandemia e considerou que a falta de apoio aos trabalhadores e às suas famílias pode levar à convulsão social.

“Manifestámos ao Presidente da República a nossa grande preocupação quanto aos postos de trabalho, dado que muitas empresas estão a aproveitar-se da crise causada pela pandemia da covid-19 para despedir. E deixámos-lhe a mensagem de que ninguém deve ser deixado para trás, pois não queremos que surja convulsão social por falta de apoio às famílias”, disse à Lusa o secretário-geral da UGT.

Segundo Carlos Silva, a reunião entre a UGT e o Presidente da República “correu muito bem” e foi uma oportunidade para a central reafirmar a sua posição em relação a várias questões da atualidade.

A central sindical aproveitou para denunciar junto de Marcelo Rebelo de Sousa os casos de “assédio moral” de que estão a ser vítimas muitos trabalhadores, a quem tentam reduzir a remuneração e os direitos ou o posto de trabalho.

O líder da UGT considerou importante os apoios que estão a ser facultados às empresas, mas defendeu que, para acederem a eles, têm de garantir os empregos e os direitos dos trabalhadores.

“É preciso pensar nas empresas, mas também é preciso pensar nos trabalhadores, porque existem muitas empresas sem escrúpulos”, disse à Lusa, acrescentando que há empresas a aproveitar-se da situação causada pela covid-19 para despedir trabalhadores sem justificação e para equilibrar contas que já estavam mal.

O sindicalista referiu a TAP e a ANA como maus exemplos.

O secretário-geral criticou a TAP por esta ter dispensado 100 trabalhadores em meados de março e defendeu que a transportadora aérea deveria voltar a ser nacionalizada.

Carlos Silva considerou também um abuso que a ANA tivesse apresentado propostas aos sindicatos para que os trabalhadores escolhessem entre rescisões por mútuo acordo, suspensão temporária do contrato de trabalho (lay-off) ou férias compulsivas.

“É preciso apoiar as empresas, mas é preciso manter o respeito pelas leis laborais. Quem cometer abusos tem de ser castigado”, disse Carlos Silva.

O sindicalista manifestou ainda preocupação quanto à sobrevivência das microempresas e defendeu que essas precisam mesmo de apoios diretos do Estado porque “a banca está a fazer negócio com as linhas de crédito, cobrando taxas muito elevadas”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 870 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 44 mil. Dos casos de infeção, pelo menos 172.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 187 mortes e 8.251 casos de infeções confirmadas. Dos infetados, 726 estão internados, 230 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

UGT pediu apoio do Governo para ‘corona bonds’

A UGT enviou no passado dia 25 uma carta ao primeiro-ministro, António Costa, a pedir o apoio do Governo português aos ‘corona bonds’, no quadro do Eurogrupo, para melhor enfrentar o impacto da covid-19 na economia.

Na carta, a UGT manifestou o seu apoio às medidas tomadas a nível nacional e europeu para fazer face à emergência da propagação do novo coronavírus e para controlar os impactos na saúde pública e na economia, e alertou para a situação dos trabalhadores.

“Não poderemos aceitar que os custos desta crise, que provavelmente será mais grave que a de 2008, recaiam sobretudo sobre os trabalhadores, nem poderemos aceitar o regresso da austeridade”, disse.

Neste âmbito, a UGT instou o Governo português, no quadro do Eurogrupo, “a apoiar os ‘corona bonds'” e pediu à Comissão Europeia que adie o calendário normal do Semestre Europeu.

A UGT informou ainda António Costa que subscreveu a Declaração dos Parceiros Sociais Europeus sobre a emergência da covid-19.

Nesta declaração, enviada às autoridades europeias, são pedidas medidas extraordinárias para salvar as empresas e salvaguardar o emprego.

A central sindical deu conhecimento da carta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao ministro das Finanças, Mário Centeno, que é também presidente do Eurogrupo.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 20.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 43 mortes, mais 10 do que na véspera (+30,3%), e 2.995 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que regista 633 novos casos em relação a terça-feira (+26,8%).

O país, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

Além disso, o Governo declarou no dia 17 o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar, no distrito de Aveiro.

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